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Existe alguma inimizade entre o sono e a produtividade?

A maioria de nós, quando perguntados “como você vai?” sabe que a resposta “cansado” ou “trabalhando muito” se encaixa perfeitamente. Trabalho – que muitas vezes não respeita os horários tradicionalmente de descanso -, redes sociais, notícias, estudos, formas de aprimoramento pessoal, relacionamentos, cuidados com a casa e consigo próprio – parecem faltar horas no dia para podermos dar conta das demandas que se apresentam!

Com o imperativo de produtividade quase sobre-humana, o sono tornou- se a última barreira a ser explorada para se tornar “horário útil”. Segundo a tese do livro “24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono” de Jonathan Crary, com a necessidade de cumprir cada vez mais tarefas, quase naturalmente concluímos que dormindo menos, ganhamos mais horas despertos e, portanto, nossa produtividade aumenta.

Mas será que essa conta fecha?

Infelizmente, não. Segundo uma pesquisa canadense divulgada no podcast The Inquiry da BBC, pode-se afirmar que o mundo vive uma crise global do sono. Os cientistas calculam que a privação do sono custe, somente ao governo dos EUA, algo em torno de 400 bilhões de dólares por ano.

O sono está sendo acuado por coisas extremamente integradas a nossa vida, o que torna desafiador reverter esse padrão. Desde a luz artificial, as telas de notebook, smartphone e o ar condicionado (sim, ele também atrapalha na regulação natural do sono!) até ter horários para dormir e acordar, tudo tem uma ligação direta ou indireta com a qualidade do nosso sono. Muitas vezes, esses hábitos não respeitam nosso ritmo biológico. Há uma pressão interna e externa para sermos produtivos e darmos conta de uma demanda crescente de tarefas. 

Produtividade X Sono – O Custo Real de Maus Hábitos

E porque a falta de sono custa caro? Porque ela tem consequências diretas e graves, a curto e longo prazo, na saúde dos indivíduos. O sono é um dos pilares da nossa longevidade e um fator que atua na causa de diversas doenças, como obesidade, diabetes e depressão. Além disso, a falta de sono afeta diretamente a memória, o humor, o sistema imune e a regulação de diversos hormônios do corpo.

Calcula-se ainda que pessoas que dormem menos de 6 horas por noite chegam a perder 6 dias de trabalho por ano. Pessoas que dormem entre 6-7 horas por noite, perdem 3,7 dias por ano. Assustador, não?

Ou seja, no final das contas, não dormir acaba se tornando mais improdutivo do que ter uma noite restaurativa de sono. Descansado, você trabalha com mais foco, energia e concentração, além de prevenir diversas doenças graves no futuro, que podem te interromper de trabalhar e causar muito sofrimento. A ideia de “trabalhe enquanto eles dormem” definitivamente não é uma boa pedida, mesmo se ignorarmos completamente as questões de sofrimento humano e qualidade de vida.

 

Referências: 

Podcast “The Inquiry – Have we always felt this tired?” da BBC: https://www.bbc.co.uk/sounds/play/p056lfh3

Livro: “24/7: Capitalismo Tardio e os fins do sono”, de Jonathan Crary, editora UBU: https://www.ubueditora.com.br/24-7.html  

Artigo: Falta de sono custa 441 bilhões por ano aos EUA  da Super Interessante: https://super.abril.com.br/comportamento/falta-de-sono-custa-441-bilhoes-por-ano-aos-eua/